Perfumes

Eu sinto cheiro de arte. Eu sinto cheiro de minha fé. Eu sinto cheiro de vida.

Meu Pai cheira a mata pisada com fundo de onça pintada arredia. Okê Arô.

De longe o mar e suas curvas que vão e vêm. O perfume das rendas de minha Mãe desenhadas na praia encanta como o seu canto, cheira a brisa, a calmaria. Odoyá.

Rocha dura se rende ao encanto de águas e ventos que nela abrem caminho, esculpem as marcas do Tempo. A pedreira sustenta, o vento é sestroso e a água escoa mole e sábia, deixando por onde passa um cheiro de musgo. Deuses também cheiram a fogo, ouro e rosa vermelha.

Também sinto a lavanda que exalava na noite em que o mestre registrou na tela as estrelas num impressionismo perfeito. O pintor só sentia o cheiro das tintas e fez a obra. E que importância tenho eu, hoje, que ainda sinto o cheiro daquela noite?

Do talco desperfumado que sai da sapatilha da bailarina e mancha o tablado explode um branco disciplinado que nem as mais delicadas flores ousam exalar.

Orquestras cheiram madeiras nobres.

Cheiro de bambu sai da cuíca e do berimbau. Acorde desafinado de saídas estridentes, de corpo forte e fundo preto.

Urucum tem cheiro quente, aroma que se pinta a cara. Resistência.

Ervas queimam para evocar os deuses. Dança, cheiro, música, oca, palha e fumaça – sagrado, ancestralidade.

Arte, fé e perfume.

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